quarta-feira, 2 de março de 2016

#6 - Figueira da Foz, 26 de Junho de 1926: o Visconde da Marinha Grande: «Meu querido João»

Figueira, 26-6º-1926

Meu querido João

Obrigado pela tua pronta resposta à minha precedente carta, e oxalá que o teu optimismo se realize, mas as prisões já começaram!... Cautela meu João!
E conta sempre comigo para tudo (que não poderá ser muito) que eu possa fazer.
Beija os meus queridos netos e querida Raquel, e a ti, beijo-te
                                                                   e abraço-te de todo o meu coração

                                                                                     Afonso

Faz favor de dar à irrequieta Teresa o papelinho junto e ela que entregue ao [..?]

Comentário - Testemunho maravilhoso de amor paternal dum velho de 90  anos -- Afonso Ernesto de Barros (1836-1927) ao seu mais do que adulto filho.  João de Barros (1881-1960) fora uma personalidade influente na I República, um dos nomes do ímpeto político do incremento da Instrução Pública que caracterizou essa fase da vida do país, e também ministro dos Negócios Estrangeiros.  Era também um importante poeta, cujo percurso se iniciara ainda durante o regime monárquico. Com o golpe militar de 28 de Maio de 1926, a situação pessoal complicava-se, e seu pai, o Visconde da Marinha Grande, dava conta das suas preocupações.
A "irrequieta Teresa" virá a ser mulher de Marcelo Caetano.
Publicado por Manuela de Azevedo, Cartas a João de Barros (s.d.), que escreve: «A ternura com que ele se exprime só a um filho muito merecedor se confessa.»
                                                                                                              

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